Encontre-nos nas redes sociais

RECONHECIMENTO DA POPULAÇÃO

Cresce aval a governadores e a Mandetta; Bolsonaro cai

Avaliação positiva dos gestores estaduais passa de 26% em março para 44% em abril, diz pesquisa da XP; conduta de Bolsonaro é ruim ou péssima para 42% dos entrevistados

Na linha de frente da política de isolamento social, governadores tiveram aumento de 18 pontos em sua aprovação em um mês, segundo pesquisa XP com a População, feita em parceria com o Ipespe. O porcentual que considera ruim ou péssimo o governo de Jair Bolsonaro subiu de 36% para 42%, no limite da margem de erro. Gestão da pandemia pelo ministro da Saúde, Luiz Mandetta, foi aprovada por 68%.

Principais responsáveis pelas medidas de isolamento social como tentativa de “achatar” a curva de contágio do coronavírus na população brasileira, os governadores tiveram aumento de 18 pontos porcentuais na taxa de aprovação entre março e abril. No mesmo período, o porcentual de entrevistados que considera a gestão do presidente Jair Bolsonaro como ruim ou péssima oscilou no limite da margem de erro: de 36%, mês passado, para 42%. Já com relação à condução das políticas de combate ao covid-19, a aprovação de Bolsonaro ficou abaixo da registrada pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Os dados fazem parte da pesquisa XP com a População, realizada pela instituição financeira em parceria com o Ipespe, e divulgada ontem. Foram ouvidas 1.000 pessoas, por telefone, entre os dias 30 de março e primeiro de abril – período de maior embate entre Bolsonaro e os governadores e Mandetta. Enquanto o presidente defende o fim das medidas de restrição de circulação, os chefes dos Executivos estaduais e o ministro afirmam a necessidade de manter a política de isolamento para evitar a propagação do coronavírus. A margem de erro da pesquisa é de 3,2 pontos porcentuais.

Segundo o levantamento, a proporção dos entrevistados que consideram a administração dos governadores como “ótima ou boa” subiu de 26% em meados de março para 44% em abril. O período coincide com a decretação de medidas de isolamento social nos Estados e com o foco sobre governadores, como João Doria (PSDB), de São Paulo, e Wilson Witzel (PSC), do Rio, que entraram em confronto com Bolsonaro nas últimas semanas.

A atuação do presidente na condução da crise foi considerada “ruim ou péssima” por 44% dos entrevistados. Outros 29% enxergaram o desempenho do presidente durante a pandemia como “ótimo ou bom” e 21%, como “regular”. Em suas declarações públicas, Bolsonaro vem minimizando os efeitos do coronavírus e defendendo o chamado isolamento vertical – segundo o qual somente idosos e pessoas no grupo de risco deveriam ficar em casa. Segundo ele, isso seria uma forma de preservar a Economia e evitar um desemprego em massa em decorrência das medidas de isolamento. Mandetta teve sua atuação aprovada por 68%, segundo a pesquisa. O ministro vem se equilibrando entre defender critérios técnicos para definir ações do Ministério da Saúde para minorar os efeitos do vírus e não melindrar o presidente.

A relação entre os dois, no entanto, já está esgarçada. No sábado, durante tensa reunião com demais ministros, Mandetta afirmou, conforme revelou o

Estado, que se o presidente insistisse em defender o retorno ao trabalho seria obrigado a contestá-lo. Bolsonaro respondeu que se isso ocorresse iria demiti-lo. Anteontem, em entrevista à Jovem Pan, Bolsonaro afirmou que o ministro “não tem humildade” e, apesar de dizer que não pretende demiti-lo “no meio da guerra”, ressaltou que ele não é “indemissível” (mais informações na pág. A5).

Governo.

A pesquisa também registrou que a desaprovação do governo Bolsonaro atingiu 42% em abril, ante 36% em março. É o maior nível de avaliações ruins ou péssimas desde o início do mandato, ainda que a oscilação tenha sido no limite da margem de erro da pesquisa. A proporção dos que avaliam o governo como “ótimo ou bom” oscilou de 30% para 28% no período, também dentro da margem – apesar de, nominalmente, ser a primeira vez que a taxa fica abaixo do nível dos 30%.

A aprovação da atuação do presidente está empatada, na margem de erro, com a do Congresso (30%), da população (34%), e do Supremo Tribunal Federal (29%), mas abaixo da do ministro da Economia, Paulo Guedes (37%) e dos profissionais da saúde (87%).

A pesquisa também captou deterioração nas expectativas para o restante do mandato de Bolsonaro. A proporção da população que espera que o governo dele seja “ruim ou péssimo” de agora em diante oscilou de 33% para 37%, enquanto a avaliação “ótima ou boa” variou de 38% para 34%. “O que estamos vendo é que Bolsonaro mantém esse núcleo de apoio em torno de 30% e isso é o que ele precisa para chegar até 2022. Não esperamos mudança no comportamento dele”, disse o head de Macro Sales e Análise Política da XP, Richard Back.

Datafolha.

Outra pesquisa divulgada ontem, pelo Instituto Datafolha, mostra que mais da metade dos brasileiros (51%) julgam que Bolsonaro tem atrapalhado mais do que ajudado durante a crise do coronavírus. O instituto entrevistou 1.511 pessoas, por telefone, entre primeiro de abril e ontem.

A pesquisa, que tem margem de erro de 3 pontos porcentuais, também mostra que a aprovação do Ministério da Saúde, liderado por Mandetta, subiu 21 pontos porcentuais, de 55% na pesquisa anterior – feita entre 18 e 20 março – para 76%.

A reprovação à maneira como Bolsonaro tem agido na crise causada pelo coronavírus oscilou no período. Na pesquisa anterior, 33% reprovavam. Agora, são 39%. A aprovação variou de 35% para 33%, e a avaliação de que o presidente é “regular” foi de 26% para 25%, ambas dentro da margem de erro.

Ao avaliar a atuação dos governadores dos Estados durante a crise, 58% dos entrevistados a aprovam (ante 55% na pesquisa anterior). Os que reprovam são os mesmos 16%. Já os que avaliam os gestores estaduais como “regular” são 23% agora, ante 28% em março.

• Núcleo

“O que estamos vendo é que Bolsonaro mantém esse núcleo de apoio em torno de 30% e isso é o que ele precisa para chegar até 2022. Não esperamos mudança no comportamento dele.”

Richard Back

HEAD DE ANÁLISE POLÍTICA DA XP

Fonte: pressreader.com – O estado de S. Paulo

Copyright © 2020 - Observatório da Blogosfera - Todos os Direitos Reservados.