Relatório da Abin sobre Hang: agiotagem, sonegação, contrabando e evasão de divisas

A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) produziu um relatório de 15 páginas, em julho de 2020, apontando uma série de trapalhadas e inconsistências na fortuna do empresário bolsonarista Luciano Hang, proprietário das lojas Havan. A reportagem de Lucas Valença para o UOL mostra que entre os negócios suspeitos pontuados pela agência estão agiotagem e custo fixo mensal maior que o faturamento.

O relatório ainda traz investigações por lavagem de dinheiro, remessa de dinheiro de origem ilegal ou duvidosa, sonegação fiscal, contrabando de importados e evasão de divisas. Políticos, apoiadores, empresários e pessoas que se aproximam da presidência da República acabam virando alvo de relatórios da Abin.

Também há informações sobre a condenação judicial sofrida por Hang em 2003 a quase quatro anos de prisão por “sonegação de contribuições previdenciárias”. O investidor foi multado em R$ 10 milhões.

Ainda de acordo com o relatório, em agosto de 2018, o empresário promoveu um café da manhã em favor da então campanha do presidenciável Jair Bolsonaro com 62 empresários ligados à comunidade judaica.

Estiveram presentes o empresário Meyer Negri e Fábio Wajngarten, que acabou ocupando o posto de secretário-executivo da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência) e é apontado no relatório como sendo afilhado de Negri.

“Meyer Negri teria tido influência na indicação de Wajngarten para a Secom e Ricardo Salles para o Ministério do Meio Ambiente”, acrescenta a Abin.

O comunicador Silvio Santos, dono do canal de televisão SBT, também aparece no relatório como sendo um integrante da comunidade judaica com influência palaciana e próximo ao dono da Havan.

“Luciano Hang é desde 2019, primeiro ano do governo do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido), o maior patrocinador privado do SBT, mantendo parte da tarde de domingo, considerado horário nobre na televisão, com programa exclusivo patrocinado pela Havan”, diz o órgão ligado ao GSI, indicando que uma aproximação entre o dono do SBT e o governo teria contado com a ajuda de Hang.

GABINETE DO ÓDIO

Luciano Hang tem sido acusado também de ser um dos financiadores de fake news por meio do aplicativo WhatsApp e do chamado “gabinete do ódio”, responsável por desferir ataques contra adversários políticos desde as eleições de 2018, que elegeu Bolsonaro.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pesquisar
Publicidade

Publicidade

Arquivos